Caminho — O meu percurso

Publicado em 1 de abril de 2026 às 16:27

Apesar de ter nascido na capital, cresci numa aldeia rodeada por uma educação profundamente ligada às tradições. Em casa, entre objetos antigos e histórias passadas de geração em geração, aprendi desde cedo a valorizar aquilo que tem memória.

 

O meu gosto pelas artes surgiu naturalmente. Desde cedo soube que queria seguir um caminho criativo, o que me levou à Escola Artística António Arroio, onde me formei em ourivesaria. Foi aí que comecei a dar forma ao meu olhar quando me recordava da minha avó e a compreender os materiais, as técnicas e a sensibilidade necessária para criar com intenção.

 

Mais tarde, senti a necessidade de aprofundar a minha ligação ao passado. Em 2012, entrei na Fundação Ricardo Espírito Santo, onde me formei em Conservação e Restauro. Foi um momento determinante no meu percurso. Aprendi não só a técnica, mas, sobretudo, a importância de preservar — de devolver ao presente aquilo que o tempo tenta apagar.

O restauro tornou-se, desde então, uma extensão natural do meu trabalho.

 

Tal como na joalharia, existe aqui um respeito profundo pela história, pelos materiais e pelo significado de cada peça. Restaurar é, para mim, uma forma de eternizar não apenas objetos, mas tudo o que eles transportam: memórias, identidades, fragmentos de tempo.
Hoje, o meu trabalho vive desse equilíbrio entre criação e preservação.
Entre dar vida a novas peças e cuidar daquelas que já carregam uma história.


E, no centro de tudo, permanece a mesma essência: a vontade de criar algo com significado.

Hoje, o meu trabalho vive desse equilíbrio entre criação e preservação. Entre dar vida a novas peças e cuidar daquelas que já carregam uma história.